Brasileiros usam mais IA no trabalho e têm menos medo

Crescimento no uso de inteligência artificial no trabalho
A inteligência artificial no trabalho ganhou mais espaço entre os brasileiros, conforme demonstra levantamento recente divulgado pelo instituto Datafolha. O estudo, realizado em junho, evidencia uma mudança significativa nos hábitos profissionais dos trabalhadores que já tiveram contato com tecnologias como ChatGPT e Claude.
De acordo com a pesquisa, entre as pessoas que conhecem ferramentas de inteligência artificial, 24% utilizam a tecnologia em atividades profissionais. Esse índice representa crescimento expressivo comparado aos 17% registrados no ano anterior, demonstrando uma adoção progressiva dessas soluções nos ambientes corporativos.
Redução do medo de substituição profissional
Um dos aspectos mais relevantes do levantamento refere-se à diminuição do receio quanto à perda de empregos. Entre os brasileiros familiarizados com inteligência artificial, apenas 48% afirmam sentir muito ou um pouco de medo de ter a profissão substituída pela tecnologia. Há doze meses, esse percentual alcançava 56%, indicando queda de oito pontos percentuais.
Simultaneamente, aumentou a proporção daqueles que declaram não ter nenhum receio em relação à substituição por máquinas. O índice subiu de 41% para 49% no período analisado, refletindo maior confiança na preservação dos postos de trabalho apesar da expansão tecnológica.
Aplicações diversas da inteligência artificial
Além do ambiente profissional, os brasileiros exploram outras funcionalidades da inteligência artificial. A pesquisa aponta que 25% utilizam essas ferramentas para realizar pesquisas na internet, enquanto 17% as empregam em atividades educacionais e de aprendizado. Ainda, 4% fazem uso da tecnologia para criação de imagens e vídeos, demonstrando a versatilidade das aplicações disponíveis.
Metodologia da pesquisa Datafolha
O levantamento foi conduzido pelo instituto Datafolha durante os dias 17 e 18 de junho, englobando 2.004 participantes com idade igual ou superior a 16 anos. Os entrevistados foram distribuídos em 139 municípios brasileiros, proporcionando ampla cobertura geográfica dos dados coletados. A margem de erro estabelecida para o estudo é de dois pontos percentuais, tanto para acréscimo quanto para redução dos resultados.
Receios quanto às aplicações da tecnologia
Apesar da maior familiaridade e menor medo da substituição profissional, os brasileiros demonstram preocupações específicas quanto ao emprego da inteligência artificial em contextos sensíveis. A pesquisa evidencia que 79% dos entrevistados consideram inadequado o uso da tecnologia em processos de contratação e desligamento de funcionários.
Adicionalmente, 68% dos participantes rejeitam a aplicação de inteligência artificial em decisões relacionadas a tratamentos médicos, enquanto 67% posicionam-se contrários ao seu uso na concessão de crédito. Esses dados revelam que, embora a população esteja mais confortável com a inteligência artificial no trabalho e menos temerosa quanto ao desemprego, persiste significativa desconfiança quando a tecnologia interfere em decisões que afetam diretamente a qualidade de vida e o bem-estar dos indivíduos.
A tendência apresentada pela pesquisa sugere que o Brasil caminha para uma adoção progressiva da inteligência artificial, especialmente em funções auxiliares e complementares. Contudo, a sociedade permanece vigilante quanto aos riscos e às implicações éticas dessa integração tecnológica, particularmente quando decisões críticas estão envolvidas.
