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SaferNet denuncia 1.093 contas Telegram com abuso infantil

SaferNet denuncia 1.093 contas Telegram com abuso infantil
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Organização não governamental documenta contas suspeitas na plataforma

A SaferNet, instituição dedicada à proteção dos direitos humanos no ambiente digital, comunicou publicamente na sexta-feira (14) o envio de um dossiê à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) contendo informações sobre aproximadamente 1.093 contas Telegram que exibem características indicativas de material envolvendo abuso sexual infantil.

O levantamento que gerou essa denúncia foi conduzido durante um período de nove anos, entre 2017 e 2026, utilizando informações coletadas através da plataforma www.denuncie.org.br, onde cidadãos podem relatar conteúdos ilícitos encontrados na internet.

Escala da documentação apresentada à ANPD

Conforme informações divulgadas pela SaferNet, a organização encaminhou à ANPD um total de 14.969 links do Telegram contendo conteúdos variados relacionados a atividades ilegais, incluindo distribuição de drogas, comercialização de armas, fraudes, automutilação e outras violações.

Dos quase 15 mil endereços catalogados no intervalo de 2017 a 2026, aproximadamente 8.160 já não estavam mais ativos ou foram voluntariamente removidos. Além disso, 4.851 correspondem a convites que tiveram seu acesso revogado. No entanto, cerca de 1.093 links relacionados a material de abuso sexual infantil continuam acessíveis na plataforma, conforme aponta a organização.

Tipologia das contas identificadas

A SaferNet classificou as 1.093 contas ativas que apresentam indícios de material de violência sexual contra menores em diferentes categorias. Segundo o levantamento, 518 correspondem a perfis de usuários e robôs automatizados, 256 são convites ainda válidos, 192 foram identificados como canais e 127 funcionam como grupos organizados.

Crescimento contínuo do fenômeno

A organização ressalta que o Telegram não representa apenas um espaço onde atos ilícitos ocorrem, mas funciona como uma plataforma cuja infraestrutura técnica, modelo de negócio e política de moderação facilitam e estruturam a produção, distribuição e comercialização de material de violência sexual contra crianças e adolescentes em proporções industriais.

Thiago Tavares, presidente da SaferNet Brasil, afirmou: "O Telegram não é apenas uma plataforma onde o abuso acontece, mas uma infraestrutura que, por sua arquitetura técnica, seu modelo de monetização e sua postura de moderação, estrutura e viabiliza a produção, a distribuição e a comercialização de material de violência sexual contra crianças e adolescentes em escala industrial".

Os dados compilados pela organização indicam que o número de denúncias experimentou uma elevação significativa a partir de 2022, alcançando seu pico máximo em julho de 2026. Essa tendência sugere que o cenário preocupante detectado desde 2024 persiste e continua se intensificando.

Novo marco legal contra crimes digitais

No início do mês em curso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou uma legislação que incrementa as penalidades para delitos de violência sexual contra menores cometidos no contexto digital, contemplando inclusive situações envolvendo tecnologias de inteligência artificial.

A proposição legislativa foi originária do deputado federal Osmar Terra, representante pelo MDB de Rio Grande do Sul, tendo recebido aprovação no Senado Federal em 7 de julho. Anteriormente, o texto aguardava a assinatura presidencial.

Estatísticas nacionais alarmantes

Estatísticas nacionais apontam crescimento contínuo na produção, posse e difusão de material de abuso sexual infantil em território brasileiro. Conforme dados contidos no 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, registraram-se 4.063 casos em 2025, representando um aumento de 23% comparado ao ano anterior, quando foram contabilizados 3.280 casos.

Principais modificações da nova legislação

Entre as disposições centrais da recém-sancionada lei encontram-se aumentos nas penalidades atribuídas a determinados delitos contra menores, destacando-se: ampliação da punição referente ao aliciamento de crianças menores de 14 anos quando o perpetrador utiliza tecnologia de inteligência artificial, deepfakes ou perfis fraudulentos para se impersonar; possibilidade de agravamento das penas para indivíduos que empreguem recursos de mascaramento de endereço IP ou outros mecanismos de ocultação de identificadores digitais com intuito de obstruir investigações; e inclusão dos principais crimes de abuso sexual infantil na categoria de crimes hediondos, além da criação de nova modalidade de prisão preventiva específica para essas infrações.

Próximas etapas

A SaferNet aguarda pronunciamento do Telegram sobre o levantamento apresentado. A plataforma ainda não forneceu comentários oficiais sobre as constatações da organização ou sobre as medidas que pretende adotar em resposta às denúncias encaminhadas à ANPD.

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