PF e PGR negam financiamento de documentário por Vorcaro
Autoridades desmentem alegações sobre financiamento de filme
A Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) emitiram comunicados oficiais nesta sexta-feira desmentindo que Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master, tivesse feito declarações ou apresentado evidências documentais acerca de um alegado aporte financeiro destinado ao documentário "Lula", dirigido por Oliver Stone, durante negociações relacionadas a um acordo de colaboração premiada.
Segundo os órgãos, não há registros de que o ex-banqueiro tenha apresentado tais informações durante as tratativas que acabaram sendo rejeitadas. A defesa de Vorcaro também confirmou que nenhum anexo sobre o tema consta da proposta de delação que foi submetida às autoridades federais.
Publicação de revista e contexto factual
A revista Veja divulgou na mesma data uma matéria alegando que Vorcaro teria feito afirmações em áudio sobre o financiamento do filme sobre a vida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), supostamente incluindo este conteúdo na proposta de colaboração premiada. O documentário de Oliver Stone foi lançado em maio de 2024, após processo produtivo que ocorreu entre 2022 e 2023.
A publicação gerou repercussão imediata entre órgãos governamentais e instituições jurídicas, levantando questões sobre a veracidade e autenticidade do material divulgado pelo periódico.
Posicionamento oficial da Polícia Federal
Em comunicado formal, a Polícia Federal esclareceu que Daniel Vorcaro não apresentou depoimento com o conteúdo descrito pela revista, nem entregou à instituição documentos, anexos ou informações relacionadas ao tema alegado. A corporação confirmou que as propostas de colaboração premiada apresentadas pela defesa do investigado não foram acolhidas devido ao não atendimento aos requisitos legais exigidos pela legislação.
A PF também informou ter recebido uma notícia-crime do grupo Prerrogativas, solicitando investigação urgente dos fatos relacionados à publicação. Os advogados que apresentaram a denúncia solicitaram perícia no áudio atribuído ao banqueiro, que conteria acusações contra o presidente candidato à reeleição. O expediente foi encaminhado à área técnica da corporação para adoção das providências investigativas apropriadas.
Pronunciamento da Procuradoria-Geral da República
A PGR também emitiu nota oficial refutando as informações publicadas. De acordo com a Procuradoria, as negociações referentes à colaboração premiada foram conduzidas exclusivamente pelos advogados contratados por Vorcaro, sem qualquer interlocução direta entre o ex-banqueiro e representantes do órgão ministerial.
O pronunciamento da instituição destacou especificamente que não houve depoimento oral do ex-proprietário do Banco Master, precisamente em razão da rejeição da proposta de colaboração premiada, cujos fundamentos foram expostos à defesa. A PGR reafirmou seu compromisso com o sigilo legal que se impõe aos procedimentos de colaboração premiada.
Declaração da defesa de Vorcaro
Os advogados de Daniel Vorcaro repudiaram a divulgação de supostos anexos relacionados às tratativas de colaboração premiada que não foi celebrada. A defesa esclareceu que não confirma o conteúdo de qualquer material divulgado, ressalvando que a origem, autenticidade e integridade do material não são reconhecidas pela equipe jurídica.
Conforme informado, Daniel Vorcaro não prestou depoimento algum à PF ou à PGR durante as tratativas de colaboração premiada. Os advogados reafirmaram que seu cliente possui informações personalíssimas e relevantes para investigações e segue à disposição das autoridades para colaborar adequadamente com os trâmites legais.
Ação da Advocacia-Geral da União
A Advocacia-Geral da União (AGU), que representa juridicamente o governo federal, informou que solicitará direito de resposta e retificação das informações divulgadas pela revista, sem descartar outras medidas legais que se fizerem necessárias. Conforme a Lei nº 13.188/2015, o direito de resposta permite a uma pessoa ou instituição contestar informações divulgadas por veículos de comunicação que considere ofensivas ou inverídicas.
Segundo a AGU, essa iniciativa ocorreu após solicitações formais apresentadas pela Casa Civil e pelo Ministério da Saúde, indicando o envolvimento de múltiplas áreas do governo na resposta às alegações publicadas.
Contexto das negociações e próximos passos
A situação envolvendo Daniel Vorcaro e as negociações de colaboração premiada permanece sob avaliação das autoridades competentes. A Polícia Federal analisa a denúncia apresentada pelo grupo Prerrogativas para determinar se abrirá inquérito formal sobre os fatos divulgados e a autenticidade do material alegadamente relacionado ao ex-banqueiro.
As declarações conflitantes entre o conteúdo publicado pela revista e os desmentidos oficiais das instituições federais sinalizam necessidade de investigação pormenorizada para estabelecer a veracidade dos fatos e a origem do material que gerou a controvérsia. Enquanto isso, a defesa de Vorcaro reitera sua disponibilidade para contribuir com as autoridades mediante procedimentos regulares.
