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Logística reversa de defensivos agrícolas

Logística reversa de defensivos agrícolas
Fonte: g1.globo.com/sp/sorocaba-jundiai/nosso-campo/noticia/2026/07/05/descarte-correto-de-embalagens-de-defensivos-fortalece-sustentabilidade-no-campo.ghtml

A importância da logística reversa de defensivos na agricultura

A logística reversa de defensivos representa uma etapa crucial na sustentabilidade das operações agrícolas contemporâneas. Para além do manejo adequado das lavouras e da aplicação precisa dos produtos fitossanitários, o tratamento responsável das embalagens vazias configura-se como elemento fundamental na proteção ambiental e na saúde de trabalhadores rurais.

Regulamentada desde 2002, essa prática visa prevenir a contaminação do solo e dos recursos hídricos, além de garantir a segurança de profissionais e animais envolvidos na cadeia produtiva agrícola. A logística reversa de defensivos integra-se em um sistema de responsabilidade compartilhada que envolve produtores, revendedores, poder público e fabricantes de insumos.

O processo iniciado antes da aplicação dos produtos

A preocupação com a sustentabilidade começa muito antes do descarte final das embalagens. Em unidades modernas localizadas em Novo Horizonte, no interior paulista, a preparação dos defensivos ocorre através de sistemas automatizados denominados "Smart Calda", que determinam com exatidão a quantidade necessária para cada setor da propriedade.

Esse método inovador reduz significativamente os desperdícios de produtos, aumenta os níveis de segurança operacional e assegura que cada talhão receba precisamente a dosagem recomendada pelos técnicos agrônomos. O processo inicia-se com a geração de uma ordem de serviço detalhada, informando a quantidade do produto, a dose por hectare, a identificação da propriedade, o número do talhão alvo e o volume total de defensivo a ser utilizado.

Procedimentos obrigatórios pós-aplicação

Após a aplicação dos defensivos nas lavouras, as embalagens vazias passam por procedimentos rigorosamente normatizados. A tríplice lavagem constitui-se em etapa obrigatória que remove praticamente a totalidade dos resíduos remanescentes do produto químico armazenado nas embalagens.

Posteriormente, os recipientes são perfurados para eliminar qualquer possibilidade de reutilização indevida, permanecendo armazenados em local apropriado até serem encaminhados para uma central de recebimento autorizada. Mensalmente, uma usina desse porte processa aproximadamente 2.500 embalagens destinadas ao tratamento adequado.

Rastreabilidade e controle rigoroso

O transporte das embalagens até as centrais de recebimento ocorre mediante caminhões devidamente identificados que operam semanalmente. Nas centrais, como a localizada em Catanduva, todo procedimento é registrado e verificado para garantir a rastreabilidade completa das embalagens em todo seu trajeto logístico.

Especialistas ambientais destacam a implementação de controles rigorosos desde a compra inicial do defensivo até o descarte final de suas embalagens. Realiza-se o romaneio detalhado informando todas as quantidades enviadas, executa-se dupla conferência de dados e consegue-se controlar integralmente o que foi adquirido, utilizado e destinado conforme as normas regulatórias.

O Sistema Campo Limpo e a responsabilidade compartilhada

A logística reversa de defensivos integra-se no Sistema Campo Limpo, programa nacional de logística reversa que estabelece responsabilidades específicas para todos os participantes da cadeia produtiva agrícola. Segundo gestores do Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (InpEV), os produtores rurais responsabilizam-se pela devolução das embalagens, enquanto as revendas informam o local de entrega no instante da comercialização.

O poder público fiscaliza rigorosamente todo o processo, garantindo o cumprimento das normativas vigentes, enquanto os fabricantes de produtos fitossanitários financiam toda a operação de coleta, transporte e processamento. Essa divisão de responsabilidades demonstra-se essencial para o funcionamento eficiente do sistema.

Processamento e reciclagem nas centrais

Quando as embalagens chegam às centrais do InpEV, passam por uma nova triagem especializada. O material reciclável segue para empresas parceiras com conhecimento técnico para seu reprocessamento, enquanto aquilo que não apresenta possibilidade de reaproveitamento é encaminhado para incineração ambientalmente adequada, conforme padrões internacionais.

Atualmente, a reciclagem alcança aproximadamente 93% do portfólio de embalagens recebidas pelas centrais. O papelão e plástico, principais componentes desse portfólio, são transformados novamente em embalagens de papelão ou em barricas utilizadas posteriormente para armazenar materiais impróprios para reutilização que serão incinerados. Na vertente de plástico, encontra-se grande variedade de materiais que se transformam em conduítes, galões, tubos de PVC e outros produtos.

A percepção dos produtores rurais

Na prática operacional, o sistema já integra-se à rotina de inúmeros produtores rurais espalhados por várias regiões. Pecuaristas e agricultores organizam as embalagens utilizadas durante cada safra e realizam a devolução nas centrais de recebimento autorizadas, frequentemente arcando com os custos de transporte de suas propriedades.

Para esses produtores, o investimento financeiro justifica-se porque fortalece a imagem sustentável do agronegócio brasileiro no cenário internacional. A dimensão ambiental constitui-se em um dos principais pilares do setor agrícola contemporâneo, e quanto mais processos ambientalmente corretos são adotados, maior segurança existe para que todo o setor continue evoluindo de forma verdadeiramente sustentável.

Penalidades e possibilidades de devolução

Produtores que não realizam o descarte adequado das embalagens de defensivos estão sujeitos a multas que variam entre R$ 384 e R$ 96 mil, além de outras sanções previstas na legislação ambiental vigente. Para evitar tais consequências, os produtores das regiões sul e central do Estado de São Paulo podem realizar a devolução das embalagens em centrais autorizadas localizadas em Paraguaçu Paulista, São Manuel, Taquarituba e Piedade.

O agendamento para a devolução das embalagens pode ser realizado através do Sistema Campo Limpo, que disponibiliza ferramentas online para facilitar o processo de registro e organização logística dos produtores rurais. Essa estrutura digital contribui para a eficiência e transparência de todo o processo de logística reversa de defensivos.

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