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Haddad condena ataque de Tarcísio a Marina e Tebet

Haddad condena ataque de Tarcísio a Marina e Tebet
Fonte: g1.globo.com/sp/sao-paulo/eleicoes/2026/noticia/2026/07/10/haddad-chama-criticas-de-tarcisio-a-marina-e-tebet-de-agressao-gratuita-a-duas-mulheres.ghtml

Haddad responde a críticas de Tarcísio contra pré-candidatas

O pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, classificou como "agressão gratuita a duas mulheres" os ataques do governador Tarcísio de Freitas dirigidos às pré-candidatas ao Senado Marina Silva e Simone Tebet. A afirmação foi realizada em entrevista a jornalistas na capital paulista, momentos antes de participar do programa de áudio "Derrubando Muros".

Haddad expressa sua perplexidade com as críticas de Tarcísio, enfatizando que embora seja legítimo discordar de posições políticas, é fundamental manter o respeito e conduzir o debate no âmbito das ideias. O petista ressalta que as duas mulheres possuem trajetórias reconhecidas e experiência legislativa que devem ser consideradas.

Contexto das declarações do governador

Dois dias antes da manifestação de Haddad, Tarcísio de Freitas havia afirmado que Marina Silva e Simone Tebet "não começaram a fazer política em São Paulo" e que as duas "receberam cartão vermelho" nos estados onde construíram suas carreiras políticas. Essas declarações ocorreram durante evento realizado ao lado do deputado federal Guilherme Derrite, também pré-candidato ao Senado.

O governador Tarcísio, natural do Rio de Janeiro e torcedor do Flamengo, havia sido indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para disputar o governo paulista em 2022, apesar de não possuir ligações anteriores com a política estadual.

Reações das pré-candidatas

Marina Silva respondeu às críticas reafirmando que São Paulo "acolhe pessoas de todo o Brasil e do mundo", lembrando que recebeu atendimento médico no Hospital das Clínicas durante problemas de saúde enfrentados na juventude. A deputada federal, nascida no Acre, representa São Paulo desde 2022.

Simone Tebet, por sua vez, argumentou que reside no estado há dez anos e que cumpre suas obrigações fiscais em território paulista. A pré-candidata também fez uma referência humorística, afirmando ser "cortiniana, não flamenguista", em alusão ao clube de coração do governador.

Marco legal e elegibilidade

Conforme a legislação brasileira, o local de nascimento não constitui requisito para disputar eleições em qualquer circunscrição. A Constituição Federal e a Lei Eleitoral estabelecem que candidatos devem cumprir condições específicas de elegibilidade, incluindo nacionalidade brasileira, direitos políticos plenos, alistamento eleitoral e domicílio eleitoral na região onde pretendem concorrer.

Para candidaturas estaduais, como a de governador, é necessário que o candidato possua domicílio eleitoral no estado, mas o nascimento no local não é obrigatório. A Constituição exige residência eleitoral mínima de seis meses antes da data do pleito e filiação partidária conforme os prazos legais estabelecidos.

Precedentes históricos em São Paulo

A história política paulista documenta diversos casos de candidatos que construíram carreiras após se mudarem para o estado. Fernando Henrique Cardoso, nascido no Rio de Janeiro, estabeleceu-se em São Paulo aos oito anos, estudou na USP e se tornou senador constituinte em 1987, contribuindo na elaboração da atual Constituição Federal.

Jânio Quadros, nascido em Campo Grande no Mato Grosso do Sul, chegou a São Paulo para estudar Direito, posteriormente elegendo-se prefeito da capital em duas ocasiões e governador do estado. Luiza Erundina, nascida na Paraíba, construiu carreira como assistente social e foi eleita prefeita em 1989, mantendo-se como deputada federal em mandatos sucessivos.

Celso Pitta transferiu-se do Rio de Janeiro para São Paulo em 1987, ocupando inicialmente cargo administrativo na empresa Eucatex, sendo posteriormente eleito prefeito da capital. O palhaço cearense Tiririca figura entre os deputados federais mais votados do país em duas eleições consecutivas.

Aliados de Tarcísio com trajetória semelhante

Destaca-se que aliados políticos do próprio governador possuem histórico similar. Eduardo Bolsonaro, deputado federal mais votado em São Paulo em 2018 e presente no top 3 em 2022, descende de família que construiu sua carreira política no Rio de Janeiro, apesar de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, ter nascido no interior paulista.

Carlos Bolsonaro, irmão de Eduardo, foi o vereador mais votado do Rio de Janeiro em 2024, renunciando ao cargo em dezembro para estabelecer residência em Santa Catarina e disputar vaga ao Senado. Rosângela Wolff Moro, nascida em Curitiba, modificou seu domicílio eleitoral para São Paulo e foi eleita deputada federal em 2022.

Sérgio Moro, marido de Rosângela, tentou transferir seu domicílio para São Paulo visando concorrer ao Senado estadual, porém sua mudança foi rejeitada pelo TRE-SP, diferentemente do caso de sua esposa cuja transferência foi aceita. Este ano Moro é pré-candidato ao governo do Paraná.

Perspectivas para o pleito eleitoral

Marina Silva e Simone Tebet aparecem à frente dos candidatos apoiados por Tarcísio nas pesquisas de intenção de voto para o Senado federal. A questão relativa à origem geográfica dos candidatos permanece como ponto de debate durante a campanha eleitoral em São Paulo, apesar da garantia legal de elegibilidade para aqueles que cumprem os requisitos constitucionais.

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