Exportações de carne bovina do Brasil para EUA crescem 524%

Boom nas exportações de carne bovina para os Estados Unidos
As exportações de carne bovina do Brasil para os Estados Unidos registraram crescimento espetacular de 524,3% em setembro, segundo dados da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham). Este desempenho expressivo marca uma recuperação significativa no setor pecuário brasileiro, refletindo mudanças importantes nas dinâmicas comerciais entre os dois países. A expansão das exportações de carne bovina ocorre em um contexto de restrições tarifárias que afetam outras categorias de produtos brasileiros.
Contexto das sobretaxas americanas e exceções comerciais
O salto observado nas exportações de carne bovina acontece justamente quando os Estados Unidos aplicam sobretaxas a diversos produtos brasileiros sob o governo de Donald Trump. A carne bovina, no entanto, encontra-se entre as poucas exceções às tarifas adicionais impostas pelo presidente americano. Na mesma categoria de beneficiados estão o café solúvel, mel orgânico e pescados como a tilápia, produtos que mantêm acesso preferencial ao mercado norte-americano.
Performance anual ainda em recuperação
Apesar do impressionante crescimento mensal, o desempenho das exportações de carne bovina precisa ser analisado dentro de um contexto mais amplo. Entre janeiro e setembro de 2026, as vendas desta commodity cresceram 82,9%, atingindo US$ 1,72 bilhão. Este resultado positivo, porém, não foi suficiente para compensar as quedas registradas em outros setores da pauta exportadora brasileira, que acumulam perdas significativas no período.
Fatores que impulsionam a demanda americana
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) identifica dois elementos fundamentais para o desempenho robusto das exportações de carne bovina. Primeiramente, uma cota adicional de importação foi iniciada em setembro, abrindo espaço para maiores volumes brasileiros. Em segundo lugar, a demanda dos Estados Unidos é impulsionada pela restrição na oferta interna de gado, decorrente da fase de baixa do ciclo pecuário americano, situação que favorece fornecedores externos como o Brasil.
Contraste com outros produtos exportados
Enquanto a carne bovina brilha nas estatísticas comerciais, outros produtos importantes da pauta exportadora brasileira enfrentam dificuldades. As vendas de petróleo bruto aos Estados Unidos caíram 35,8% no período de janeiro a setembro. O café não torrado recuou 20%, enquanto as exportações de produtos semiacabados de ferro, que ainda necessitam de etapas adicionais de processamento, diminuíram 4,3%. Este cenário evidencia como as políticas tarifárias norte-americanas afetam de forma desigual os diferentes setores da economia brasileira.
Impacto geral no comércio bilateral
Quando considerado o acumulado do ano, o quadro das relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos apresenta-se mais complexo. De janeiro a setembro, as exportações totais do Brasil para o mercado americano somaram US$ 27,5 bilhões, registrando queda de 6,5% em relação ao mesmo período de 2025. Esta redução representa US$ 1,9 bilhão a menos em vendas, configurando o menor volume para os nove primeiros meses do ano desde 2023, período anterior ao aumento das tensões comerciais entre as nações.
Recuperação em setembro oferece sinais positivos
Setembro trouxe alento para os exportadores brasileiros, ainda que de forma parcial. No mês, as exportações brasileiras para os Estados Unidos totalizaram US$ 3,5 bilhões, representando alta de 31,9% comparado ao mesmo mês de 2025. Este crescimento foi impulsionado tanto pelo aumento na quantidade de produtos vendidos, que cresceu 3,1%, quanto pela elevação de 28% no preço médio das mercadorias exportadas, refletindo dinâmicas de mercado favoráveis.
Desempenho por setor da economia brasileira
A análise setorial das exportações de carne bovina e demais produtos evidencia disparidades importantes. Entre janeiro e setembro, as exportações brasileiras para o mercado americano recuaram 17,8% no setor agropecuário, 32% na indústria extrativa e 1,2% na indústria de transformação. No entanto, quando os Estados Unidos são excluídos da análise, o cenário se inverte: a agropecuária cresceu 8,9%, a indústria extrativa 21,2% e a indústria de transformação 6,3%, demonstrando que mercados alternativos compensam parcialmente as restrições americanas.
Produtos industrializados mantêm liderança nas exportações
Apesar das turbulências comerciais, os produtos industrializados continuam concentrando a maior parte das vendas brasileiras aos americanos, respondendo por 84,4% do total exportado entre janeiro e setembro. A queda de 1,2% nas exportações deste setor representa a primeira retração para o período desde 2020, ano marcado pela pandemia de COVID-19. Mesmo assim, os Estados Unidos permanecem como o principal destino dos produtos industrializados brasileiros, posição à frente da União Europeia, China e Mercosul.
Produtos sob tarifas adicionais enfrentam perdas acumuladas
As exportações de produtos brasileiros sujeitos a tarifas adicionais dos Estados Unidos apresentaram recuperação em setembro, mas continuam em queda no acumulado de 2026. No mês, as vendas desses produtos cresceram 28,1% em valor, atingindo US$ 1,46 bilhão. Entre os itens submetidos às tarifas mais elevadas, de 25% a 37,5%, a alta foi de 27,8%, para US$ 466,5 milhões. De janeiro a setembro, porém, as exportações deste último grupo recuaram 25,4%, equivalendo a US$ 1,4 bilhão a menos em vendas.
Maiores retrações entre produtos sobretaxados
Entre os dez produtos mais exportados aos Estados Unidos sujeitos a tarifas adicionais de 25% ou 37,5%, nove registraram queda no acumulado do ano. As maiores retrações incluem madeira de coníferas com recuo de 50,6%, granitos trabalhados com queda de 34,1% e sebo bovino com diminuição de 33,4%. Estas perdas significativas refletem a profundidade do impacto das políticas tarifárias sobre setores específicos da economia brasileira.
Importações americanas crescem pelo terceiro mês consecutivo
Na direção oposta às exportações, as importações brasileiras de produtos americanos voltaram a crescer em setembro. As compras brasileiras somaram US$ 4,43 bilhões, alta de 2,1% em relação ao mesmo mês de 2025. Foi o terceiro mês consecutivo de crescimento, após sete meses de queda que caracterizaram o período anterior. Este movimento positivo sugere recuperação da demanda doméstica brasileira por produtos norte-americanos.
Combustíveis puxam crescimento das importações
O avanço nas importações foi principalmente puxado pelos combustíveis, cujas compras aumentaram 108,5% em setembro. Entre janeiro e setembro, as importações brasileiras dessa categoria totalizaram US$ 6,86 bilhões, alta de 68,5% na comparação anual. Este crescimento expressivo reflete tanto as necessidades energéticas do Brasil quanto as flutuações nos preços internacionais do petróleo e seus derivados.
Déficit comercial com os Estados Unidos diminui
Com as importações superiores às exportações, o Brasil acumulou déficit comercial de US$ 4,3 bilhões com os Estados Unidos nos nove primeiros meses de 2026. O resultado negativo, que indica que o país comprou mais do que vendeu ao mercado americano, foi 10,8% menor do que o registrado no mesmo período de 2025, apontando para uma melhoria gradual no desequilíbrio comercial bilateral.
