Ancine abre processo contra produtora de 'Dark Horse'

Ancine investiga irregularidades em 'Dark Horse'
A Agência Nacional do Cinema (Ancine) abriu processo administrativo contra a produtora Go Up Entertainment por violações nas normas de registro de produções cinematográficas. O caso envolve a película "Dark Horse", uma cinebiografia sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, cujas gravações ocorreram em território brasileiro sem o devido aviso aos órgãos reguladores competentes.
Conforme comunicado oficial divulgado pela Ancine, foi apresentada denúncia indicando "produção, em território brasileiro, de obra audiovisual estrangeira sem a prévia comunicação à agência". Esta é uma exigência obrigatória da legislação que regula o setor audiovisual no país. A documentação entregue pela agência reguladora esclarece que foram realizadas duas tentativas sem sucesso de contato com a empresa responsável pela produção para solucionar a questão.
Procedimento administrativo e próximos passos
Um auto de infração foi lavrado pela Ancine, iniciando formalmente o processo investigatório. A Go Up Entertainment possui prazo determinado para apresentar sua defesa e, se necessário, recursos contra as acusações. A agência ressaltou que, em casos de obras estrangeiras cinematográficas filmadas no Brasil, é absolutamente necessário que a ANCINE seja notificada previamente, procedimento que não ocorreu com "Dark Horse".
Até o momento, a produtora Go Up Entertainment não se pronunciou sobre o assunto. Apesar de tentativas de contato para obter uma resposta oficial, nenhuma manifestação foi recebida pela imprensa. A agência afirmou que divulgará publicamente os resultados da apuração assim que o processo for concluído, reafirmando seu compromisso com a transparência e regularidade do setor audiovisual brasileiro.
Detalhes sobre a cinebiografia 'Dark Horse'
"Dark Horse" é uma produção cinematográfica que narra a história do ex-mandatário nacional Jair Bolsonaro. O filme é protagonizado pelo ator americano Jim Caviezel, reconhecido mundialmente por seu papel em "A Paixão de Cristo" (2004) e por uma série de produções de viés conservador lançadas nos últimos anos, incluindo "Som da Liberdade" (2023).
A direção está a cargo de Cyrus Nowrasteh, cineasta norte-americano de 69 anos com experiência em produções televisivas como "Depois do Atentado" e cinematográficas como "O Apedrejamento de Soraya M.". Nowrasteh tem histórico de colaboração com produtores brasileiros, tendo participado como roteirista em "Jenipapo" (1995), filme dirigido por Monique Gardenberg.
Elenco e equipe criativa
O roteiro de "Dark Horse" foi elaborado por Cyrus Nowrasteh e Mark Nowrasteh, baseado em argumento escrito pelo ator e ex-secretário da Cultura durante a administração Bolsonaro, Mario Frias. O elenco complementar inclui Esai Morales, conhecido pela franquia "Missão: Impossível - O Acerto Final", Lynn Collins da série "The Walking Dead", Camille Guaty no papel de Michelle Bolsonaro e Jeffrey Vincent Parise.
Datas de lançamento e status do projeto
Em publicação no Instagram datada de 7 de abril, Jim Caviezel anunciou a estreia do filme para 11 de setembro de 2026, em uma sexta-feira. No entanto, padrão brasileiro estabelece que lançamentos cinematográficos ocorrem às quintas-feiras. A publicação veiculada pelo Deadline em 21 de abril desmentiu informações sobre a data de estreia, afirmando que "ao contrário de algumas especulações online", não há data confirmada de lançamento e que os produtores ainda buscam comercializar o projeto.
Financiamento e envolvimento de Daniel Vorcaro
Revelações do portal Intercept Brasil, em maio, expuseram que o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, forneceu recursos financeiros para a realização de "Dark Horse". As negociações envolveram comunicações diretas com Flávio Bolsonaro, senador e filho do ex-presidente, que exercia pressão para efetivação dos pagamentos.
Vorcaro encontra-se detido em Brasília, enfrentando acusações de liderar esquema sofisticado de fraudes financeiras que totalizam aproximadamente R$ 12 bilhões, conforme investigações da Polícia Federal. O acesso a mensagens e áudios trocados entre Vorcaro e Flávio Bolsonaro, obtido pela imprensa investigativa, revelou a natureza comercial e as complexidades da relação entre o financiador e a produção cinematográfica.
Posicionamento da Ancine sobre produções estrangeiras
A Agência Nacional do Cinema reafirmou seu compromisso com a transparência e com a manutenção da regularidade do setor audiovisual nacional. O órgão regulador enfatiza que qualquer obra cinematográfica de origem estrangeira gravada em solo brasileiro deve cumprir requisitos administrativos específicos, garantindo rastreabilidade e conformidade com a legislação vigente.
O processo em andamento contra a Go Up Entertainment permanece sob análise interna da agência. Por se tratar de procedimento administrativo em curso, a Ancine não antecipa conclusões sobre o mérito do caso. Medidas cabíveis previstas em lei serão adotadas caso irregularidades sejam identificadas ao final da investigação.
