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Macklemore doa US$ 1 milhão após expulsão da turnê de Ed Sheeran

Macklemore doa US$ 1 milhão após expulsão da turnê de Ed Sheeran
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Macklemore doa milhão para organizações pró-Palestina

O rapper Macklemore anunciou sua intenção de doar aproximadamente US$ 1 milhão em prol de organizações humanitárias que auxiliam a população palestina. A decisão ocorre após sua remoção dos shows restantes da turnê de Ed Sheeran nos Estados Unidos. A doação será direcionada para seis entidades ligadas à causa palestina, conforme informado pelo artista em comunicado divulgado nas redes sociais.

A quantia corresponde ao salário integral que Macklemore receberia como artista de abertura na turnê "Loop", que estava prevista para percorrer diversas cidades americanas. Macklemore afirma que o valor será utilizado para auxiliar comunidades em Gaza e na Cisjordânia.

Os eventos que levaram à expulsão

Os problemas começaram em 4 de setembro, quando Macklemore se apresentava no MetLife Stadium, em Nova Jersey. Durante seu show como abertura, o rapper gritou "Free Palestine" (Palestina Livre) e declarou que desejava que pessoas em Gaza e na Cisjordânia soubessem que não haviam sido esquecidas.

A declaração gerou reação imediata. O Conselho Israelense-Americano protocolou uma petição solicitando formalmente a exclusão do artista dos eventos seguintes. Diversos locais onde a turnê seria realizada, incluindo estádios em Boston, Atlanta, Charlotte, Indianápolis, Dallas e Tampa, manifestaram oposição à permanência de Macklemore no line-up.

Conforme comunicado da Messina Touring Group, promotora responsável pelos shows nos EUA, a manutenção de Macklemore resultaria no cancelamento de toda a turnê, impactando centenas de milhares de fãs. A empresa informou que, após negociações com as partes envolvidas, o rapper não participaria das datas restantes como atração de apoio.

Mensagem de Macklemore nas redes sociais

Em seu comunicado no Instagram, Macklemore afirmou que sua exclusão não o torna uma vítima. O artista esclareceu que possui carreiras estabelecidas, recursos financeiros, segurança e público mundial, diferentemente dos palestinos que vivem sob ocupação.

"Uma vida palestina não tem menos valor do que qualquer vida desta Terra. Sempre foi sobre isso. Não é sobre mim. Não é sobre a turnê. Não é sobre as manchetes ou controvérsias. É sobre o direito dos palestinos a liberdade, dignidade e segurança na sua própria terra natal", escreveu o rapper.

O artista também convidou publicamente o empresário Robert Kraft, responsável pelo Gillette Stadium em Boston, para que realize uma doação pessoal. Kraft havia pressionado Ed Sheeran para remover Macklemore das apresentações de abertura no local.

Posicionamento de Ed Sheeran

Ed Sheeran respondeu às questões sobre o caso em um longo comunicado divulgado na segunda-feira (14). O britânico enfatizou que a decisão pela remoção de Macklemore partiu da promotora da turnê, não de sua iniciativa pessoal.

"Não sou cúmplice. Tenho minhas visões pessoais sobre esse conflito devastador. Só porque eu escolho não falar publicamente, não significa que eu não as tenho, e não significa que eu não me importe", publicou Sheeran em comunicado.

Debandada de artistas da turnê

A situação se agravou quando diversos artistas de abertura abandonaram a turnê em solidariedade a Macklemore. Finneas, Aaron Rowe, Lukas Graham e a banda Beoga declararam que não abririam mais os shows de Ed Sheeran.

Finneas escreveu nas redes: "Artistas não devem ser silenciados por se manifestar contra a opressão". Lukas Graham complementou: "Deveríamos poder falar sobre guerra, sobre civis sendo mortos, sobre crianças que merecem crescer. Onde quer que vivam. Qualquer que seja a sua bandeira".

Os integrantes da banda irlandesa Beoga fizeram referência ao histórico de seu país: "Como irlandeses, conhecemos bem até demais genocídio, fome forçada e ocupação violenta". A saída dos artistas levou Sheeran a perder todas as atrações de abertura da turnê, que segue com datas agendadas até 11 de dezembro.

Contexto internacional e relatórios

Um comitê de investigação contratado pela Organização das Nações Unidas apontou em junho que Israel alvejou deliberadamente crianças na Faixa de Gaza. A comissão afirmou que tais ações configuram genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra.

Segundo o relatório da ONU, aproximadamente 30% dos 73 mil mortos na guerra em Gaza eram crianças, totalizando pouco mais de 20 mil vidas perdidas. Esses dados formam o cenário internacional que embasa os pronunciamentos de artistas como Macklemore sobre a situação palestina.

A doação de Macklemore representa um posicionamento concreto do artista em relação às causas que defende, transformando a perda da oportunidade de turnê em contribuição financeira para organizações humanitárias que atuam nas regiões afetadas pelo conflito.

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