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Verificação de Fatos na Entrevista de Zema

Verificação de Fatos na Entrevista de Zema
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Análise Completa da Entrevista de Romeu Zema

A verificação de fatos realizada durante a entrevista concedida por Romeu Zema, candidato à Presidência pela legenda do partido Novo, revelou informações tanto precisas quanto imprecisas sobre sua gestão estadual e declarações políticas. Esta checagem de declarações examina em detalhes cada afirmação feita durante a conversa com os jornalistas, apresentando um panorama claro sobre o que é comprovável e o que carece de precisão.

Escândalos e Corrupção na Gestão Estadual

Uma das principais alegações sob revisão foi a afirmação de que o governo estadual funcionou sete anos e meio sem escândalos ou corrupção. De acordo com a verificação de fatos, essa declaração é considerada falsa. A Operação Rejeito, deflagrada pela Polícia Federal em 2025, revelou um esquema bilionário de corrupção envolvendo mineração em Minas Gerais que atingiu diretamente o alto escalão da administração estadual.

O inquérito apontou que pelo menos quatro dirigentes de órgãos ambientais e de patrimônio foram exonerados ou afastados de suas funções após serem mencionados nas investigações. O grupo criminoso, formado por empresários, delegados e políticos, oferecia subornos a servidores públicos para obtenção de licenças ambientais, possibilitando exploração de minério de ferro em diversas regiões, algumas próximas a unidades de preservação ambiental. Entre os órgãos afetados estavam a Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam) e a Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Minas Gerais.

Situação Financeira do Estado

Quanto à situação financeira de Minas Gerais, a verificação de fatos confirmou como verdadeira a declaração sobre a transição de déficit para superávit. O Balanço Geral do Estado, divulgado em 2018 pela Secretaria de Estado da Fazenda, registrou um déficit orçamentário aproximado de R$ 11,4 bilhões. Em 2024, o resultado foi transformado em um saldo positivo de R$ 5,1 bilhões, impulsionado especialmente por receitas extraordinárias obtidas através dos acordos de Mariana e Brumadinho.

No encerramento de 2025, o Secretaria de Estado da Fazenda apontou um superávit de R$ 1,1 bilhão. Contudo, para o término de 2026, a pasta projeta o retorno a um déficit de R$ 5 bilhões, indicando uma tendência negativa para o período seguinte.

Envolvimento de Empresas Privadas em Esquemas

Sobre as declarações relacionadas ao Banco Master e envolvimento de instituições privadas, a verificação de fatos identificou a alegação como parcialmente imprecisa. Embora investigações não mencionem envolvimento direto de bancos privados ou fundos de pensão privados no esquema de fraudes do Banco Master, empresas privadas aparecem nas apurações da Polícia Federal.

A Reag Investimentos, gestora de fundos, foi identificada como tendo fundos administrados que teriam sido utilizados em operações para inflar o patrimônio do Banco Master e ocultar participação acionária. Adicionalmente, a produtora Go UP Entertainment, responsável pelo filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, também aparece nas investigações, com registros de solicitações de financiamento e transferências de recursos relacionadas ao banco investigado.

Situação Dos Servidores Públicos

A declaração sobre servidores públicos com nomes inscritos em cadastros de inadimplentes foi confirmada como verdadeira. Em maio de 2020, a Polícia Civil de Minas Gerais indiciou o ex-governador Fernando Pimentel, predecessor de Zema, por crime de peculato em um suposto desvio de R$ 855 milhões de recursos de empréstimos consignados. As investigações apontaram que aproximadamente 260 mil servidores foram afetados pelo desvio, tendo seus nomes inscritos em cadastros de inadimplentes sem que o governo repassasse os valores aos bancos credores.

Investigações Contra Membros do Partido Novo

Quanto à afirmação de que nenhum membro do partido Novo estava sendo investigado, a verificação de fatos classificou como falsa. O deputado estadual Elizeu Nascimento, do Novo de Mato Grosso, foi alvo de operação deflagrada pelo Ministério Público estadual em 30 de abril, com busca e apreensão de R$ 200 mil. Adicionalmente, o ex-ministro Ricardo Salles responde no Supremo Tribunal Federal à Ação Penal originada de investigação sobre esquema de facilitação ao contrabando de produtos florestais.

Desemprego e Geração de Empregos

A declaração sobre criação de mais de um milhão de empregos foi confirmada como verdadeira pela verificação de fatos. Em 2018, a taxa de desemprego em Minas Gerais foi de 10,8%, conforme a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. No primeiro trimestre de 2026, a taxa de desocupação ficou em 5%, representando uma queda de 5,7 pontos percentuais. Esse percentual, aplicado à população economicamente ativa do estado, representa aproximadamente 947 mil pessoas que deixaram o desemprego.

Políticas de Segurança de Barragens

Sobre as políticas relacionadas à segurança de barragens após o rompimento de Brumadinho, a verificação de fatos identificou a declaração como parcialmente imprecisa. Embora medidas significativas tenham sido implementadas, a legislação federal sobre segurança de barragens já existia desde 2010, anterior ao governo estadual analisado. A Lei estadual nº 23.291, conhecida como Mar de Lama Nunca Mais, foi sancionada em 25 de fevereiro de 2019, estabelecendo normas mais rigorosas, porém baseando-se em estruturas regulatórias preexistentes.

O número de 18 barragens descomissionadas apresentado na declaração também se mostrou desatualizado. De acordo com o painel do Ministério Público de Minas Gerais atualizado em julho de 2026, 23 estruturas já foram descaracterizadas e 30 seguem em processo de descaracterização. Apesar das medidas implementadas, o estado permanecia com barragens classificadas em níveis de emergência e comunidades evacuadas.

Multas Ambientais e Acordos

Relativamente às afirmações sobre multas ambientais, a verificação de fatos indicou imprecisão na forma como foram apresentadas as informações. A Semad aplicou à Samarco uma primeira multa de R$ 112 milhões em novembro de 2015 pela tragédia de Mariana. Posteriormente, foram lavrados 31 autos de infração contra a empresa, com valores adicionais chegando a R$ 180 milhões relacionados a danos específicos.

Para Brumadinho, a Semad aplicou inicialmente uma multa de aproximadamente R$ 99 milhões à Vale, não superando a primeira multa de Mariana. O montante de R$ 37 bilhões mencionado refere-se ao Acordo Judicial de Reparação de Brumadinho assinado em fevereiro de 2021, instrumento que envolveu múltiplos órgãos públicos e representava compensação e reparação, não uma multa administrativa em seu sentido estrito. A repactuação de Mariana em 2024 chegou a R$ 170 bilhões, também representando reparação e compensação global.

Liderança Feminina nas Instituições de Segurança

A declaração sobre mulheres em posições de comando nas instituições de segurança estadual foi confirmada como verdadeira. Os cargos de coronel do Corpo de Bombeiros, coronel da Polícia Militar e delegada-geral da Polícia Civil são ocupados respectivamente por Jordana de Oliveira Filgueiras Daldegan, Cleide Barcelos dos Reis Rodrigues e Letícia Baptista Gamboge Reis. A verificação de fatos consultou os comandos desses órgãos em todos os estados e no Distrito Federal, confirmando que nenhuma outra unidade federativa possui essa configuração.

Processo Judicial em Andamento

Sobre o processo relacionado ao ministro Gilmar Mendes, a verificação de fatos confirmou como verdadeira a existência de ação judicial. Zema é alvo de processo classificado como crime de calúnia que tramita em segredo de justiça no Superior Tribunal de Justiça, após acusação do ministro da Corte Suprema. O caso relaciona-se a conteúdo postado em redes sociais em março, contendo críticas irônicas ao magistrado e a outro ministro da Suprema Corte, abordando o tema do Banco Master.

População em Territórios Controlados por Facções

Quanto à alegação sobre 60 milhões de brasileiros residindo em áreas controladas por organizações criminosas, a verificação de fatos confirmou como basicamente verdadeira, embora com ressalvas sobre precisão numérica. Pesquisa contratada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública junto ao instituto Datafolha em maio estimou que 68 milhões de brasileiros percebem a presença de grupos criminosos em seu bairro de moradia, equivalente a 41% da população. Estudo posterior do mesmo fórum em 2025 indicou que ao menos 28,5 milhões convivem diretamente com crime organizado, enquanto análise da Universidade de Cambridge apontou entre 50,6 e 61,6 milhões vivendo em locais com regras impostas por facções criminosas.

Conclusão da Verificação

A verificação de fatos realizada durante a entrevista de Romeu Zema demonstra um padrão de afirmações que variam entre totalmente precisas, parcialmente imprecisas e francamente falsas. Enquanto algumas questões relacionadas a indicadores econômicos e composição de lideranças em segurança pública puderam ser comprovadas, outras alegações sobre ausência de escândalos na administração e alegações sobre multas ambientais carecem de precisão factual ou simplicidade excessiva em sua formulação, sendo necessário examinar fontes documentais para obter visão completa dos temas abordados na entrevista.

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