Rondônia avança no fechamento de lixões a céu aberto

Rondônia avança na extinção de lixões a céu aberto
Os lixões a céu aberto que há anos marcam a paisagem da região central de Rondônia enfrentam seus dias finais. Com uma população total próxima a 200 mil habitantes, sete municípios se mobilizam para erradicar completamente essas estruturas inadequadas. Diariamente, mais de 140 toneladas de resíduos são depositadas nos lixões a céu aberto, contaminando o solo e atraindo animais peçonhentos e urubus para as comunidades localizadas em torno desses espaços.
A transição dos lixões a céu aberto para aterros sanitários representa um marco importante na gestão ambiental regional. Conforme determinado pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), o prazo estabelecido para a eliminação total desses depósitos irregulares é o dia 31 de julho. Os municípios envolvidos neste processo de transformação incluem Ji-Paraná, Ouro Preto do Oeste, Vale do Paraíso, Mirante da Serra, Nova União e Urupá.
O novo aterro sanitário de Ji-Paraná
A cidade de Ji-Paraná, localizada a pouco mais de 370 quilômetros de Porto Velho, lidera o processo de modernização. Um aterro sanitário de iniciativa privada encontra-se em fase final de construção na Zona Rural do município. A empresa responsável pelo empreendimento já possui experiência comprovada no estado, operando dois aterros adicionais em Cacoal e Vilhena, que prestam serviços a municípios vizinhos de Rondônia e parte do Mato Grosso.
A obra teve início em junho e sua conclusão está programada para 180 dias após o começo da construção. A capacidade operacional do novo aterro sanitário foi dimensionada para receber 300 toneladas de lixo diariamente, atendendo adequadamente os seis municípios pertencentes à região central do estado. Em outubro de 2010, foi criado um programa ambiental específico dentro do consórcio para orientar e auxiliar os municípios na correta destinação dos resíduos sólidos.
Tecnologia e proteção ambiental no aterro sanitário
A coordenadora do Programa Ambiental, Maria Aparecida de Oliveira, destaca os diferenciais técnicos que garantem a proteção do meio ambiente. O aterro sanitário foi projetado sem contato direto com o solo, elemento fundamental para evitar a contaminação do lençol freático. A vala será completamente isolada com barreiras impermeáveis e o chorume gerado pelo lixo passará por tratamento fisicoquímico rigoroso, eliminando o risco de contaminação do solo circundante.
Além das medidas de proteção ambiental, uma central de triagem será integrada à estrutura do aterro sanitário. Barracões apropriados estão sendo alugados em diversos municípios para que os catadores trabalhem em ambientes seguros, longe da exposição ao sol intenso e dos riscos associados ao trabalho em lixões a céu aberto desprotegidos.
Situação de cada município
Ji-Paraná
Como maior produtor de resíduos da região central, Ji-Paraná gera 100 toneladas de lixo diariamente. O descarte ainda ocorre no lixão a céu aberto, embora a Secretaria de Meio Ambiente realize levantamentos para concretizar a transferência ao aterro sanitário. O município conta com uma associação composta por cerca de 20 catadores, que trabalham há quase dois anos em um barracão estruturado.
Ouro Preto do Oeste
O segundo maior produtor de resíduos sólidos da região é Ouro Preto do Oeste, com aproximadamente 28 toneladas diárias de lixo. A Secretaria de Meio Ambiente do município desenvolve planejamento detalhado para o encaminhamento adequado dos resíduos ao aterro sanitário. Uma associação de catadores, envolvendo 24 trabalhadores, está em processo de formalização para atuar no município.
Nova União
Com população de cerca de 8 mil habitantes, Nova União produz 1,3 toneladas de lixo diariamente. Para se adequar aos novos padrões, o município locou um barracão onde aproximadamente 10 catadores atuam na separação do lixo reciclável. Todo o resíduo sólido não reciclável é encaminhado diariamente ao aterro sanitário localizado em Ji-Paraná.
Mirante da Serra
No município de Mirante da Serra, uma associação beneficiará cerca de 12 catadores locais. Conforme informações da Secretaria de Meio Ambiente, todo o lixo não reciclável produzido será encaminhado para o aterro sanitário de Ji-Paraná, garantindo a eliminação do lixão a céu aberto local.
Urupá
Urupá, com pouco mais de 13 mil habitantes, implementa plano de destinação de seus resíduos ao aterro sanitário de Ji-Paraná. De acordo com a Secretaria de Meio Ambiente do município, o lixo será transportado três vezes semanalmente, garantindo a frequência necessária para a gestão adequada.
Vale do Paraíso
Com produção diária de duas toneladas de lixo, Vale do Paraíso trabalha para o encerramento do lixão a céu aberto. Uma cooperativa voltada para a reciclagem do lixo será instalada em prazo de 15 dias. A Secretaria de Meio Ambiente municipal ainda não divulgou cronograma específico para o fechamento definitivo do lixão.
Caso de sucesso em Teixeirópolis
Diferentemente dos demais municípios, Teixeirópolis já eliminou seu lixão a céu aberto. A prefeitura iniciou em janeiro o transporte do lixo sólido para o aterro sanitário de Cacoal, consolidando essa transição. O antigo lixão do município foi submetido a processo de reflorestamento, devolvendo a área para o meio ambiente.
Impactos positivos esperados
A extinção generalizada dos lixões a céu aberto em Rondônia traz benefícios significativos para o meio ambiente e para a qualidade de vida da população. A redução da poluição do ar, água e solo será substancial. Além disso, catadores de material reciclável ganham condições de trabalho dignificadas, operando em instalações apropriadas em vez de ambientes insalubres. O cumprimento da PNRS demonstra o compromisso da região com a sustentabilidade e a responsabilidade ambiental.
