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Nunes Marques convoca institutos e big techs para debater pesquisas

Encontros estratégicos no Tribunal Superior Eleitoral

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, convocou representantes de institutos de pesquisa e empresas de tecnologia para participarem de encontros que acontecerão nos dias 14 e 16 de julho. O objetivo central dos encontros envolve a discussão sobre pesquisas eleitorais, metodologias de levantamento de intenção de voto e estratégias coordenadas para o combate às fake news durante o período eleitoral.

Essas reuniões representam um esforço significativo do tribunal em estabelecer diretrizes mais robustas que norteiem tanto a realização quanto a divulgação de pesquisas eleitorais. A iniciativa segue debates intensos ocorridos no plenário da Corte e reflete preocupações manifestadas por ministros em relação à padronização de critérios metodológicos.

Contexto da suspensão da pesquisa AtlasIntel

A necessidade de estabelecer regras mais claras para pesquisas eleitorais emergiu após Nunes Marques suspender, em maio deste ano, a divulgação de um levantamento realizado pelo Instituto AtlasIntel. Este levantamento indicava uma queda de cinco pontos nas intenções de voto do pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL).

O timing da suspensão coincidiu com o vazamento de conversas entre o senador e Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Nas mensagens divulgadas, Flávio solicitava recursos financeiros ao banqueiro para custear a produção do filme "Dark Horse", documentário sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Este episódio desencadeou uma cadeia de questionamentos sobre a integridade metodológica do levantamento realizado.

Análise da decisão presidencial

A equipe jurídica do Partido Liberal apresentou reclamação formal ao TSE, argumentando que o questionário utilizado na pesquisa direcionava os participantes de maneira negativa mediante a reprodução do áudio da conversa entre Flávio e Vorcaro. Ao asumir a relatoria do caso, Nunes Marques identificou indícios de indução que comprometeriam a validade das respostas coletadas.

O ministro apontou uma discrepância significativa na metodologia adotada: o Instituto AtlasIntel não havia utilizado perguntas similares em nenhum dos outros 27 levantamentos que realizou. Este argumento serviu como fundamento para a decisão de suspender a divulgação dos resultados. Em resposta, a AtlasIntel emitiu comunicado refutando as acusações, afirmando que o áudio de Flávio não havia sido reproduzido aos participantes durante a aplicação do questionário.

Avanço do caso no plenário

A análise do caso iniciou-se no plenário do TSE em 9 de junho, mas foi suspensa após pedido de vista formulado pela ministra Estela Aranha, que solicitou maior tempo para análise. Durante a sessão, ministros como André Mendonça e Dias Toffoli manifestaram a necessidade de que o tribunal fixasse critérios objetivos para orientar a atuação dos institutos de pesquisa na realização de levantamentos de intenção de voto.

A continuidade da discussão ficou condicionada aos resultados das reuniões que Nunes Marques realizará com os representantes dos institutos de pesquisa, o que demonstra a importância atribuída ao diálogo direto com esses atores.

Regras para plataformas digitais e combate a conteúdos ilícitos

Paralelamente aos debates sobre pesquisas eleitorais, o TSE estabeleceu um conjunto de novas regulamentações direcionadas às plataformas de redes sociais nas resoluções eleitorais deste ano. Estas normas visam intensificar o combate às fake news e fortalecer a defesa dos princípios democráticos durante o período de campanhas eleitorais.

As resoluções eleitorais ampliaram significativamente as hipóteses em que contas e perfis devem ser excluídos pelas plataformas, inclusive de forma imediata e sem necessidade de ordem judicial prévia. As big techs foram obrigadas a remover ou tornar indisponível, de maneira automática, conteúdos que se enquadrem em categorias específicas de ilicitude.

Categorias de conteúdo obrigatoriedade de remoção

A legislação determina que as empresas de tecnologia devem proceder à exclusão de publicações que envolvam a divulgação de informações manifestamente falsas ou desprovidas de comprovação técnica que ataquem a integridade do sistema eletrônico de votação. Esta medida busca preservar a confiabilidade dos mecanismos eleitorais frente a campanhas de desinformação coordenadas.

Adicionalmente, conteúdos que incitem crimes contra o Estado Democrático de Direito encontram-se sob o escopo obrigatório de remoção. Igualmente, publicações que encorajem a subversão da ordem constitucional ou a ruptura da normalidade democrática devem ser imediatamente retiradas das plataformas. A legislação também protege grupos vulneráveis, incluindo disposições que obrigam a remoção de conteúdos que promovam violência política contra mulheres.

Prioridades de Nunes Marques no TSE

Desde sua posse como presidente do TSE em maio deste ano, Nunes Marques tem reiterado a importância da fiscalização rigorosa dos processos eleitorais. Durante seu discurso de posse, afirmou que a prioridade fundamental da Corte é garantir a realização de eleições caracterizadas pela limpeza e transparência em todos os seus aspectos.

"É essencial que o TSE cumpra com sua missão constitucional de organizar, orientar e fiscalizar as eleições para que sejam eleições limpas e transparentes", declarou na ocasião, estabelecendo o tom de sua gestão.

Agenda de reuniões com as big techs

Durante o encontro com representantes das big techs agendado para 16 de julho, Nunes Marques abordará questões críticas para a segurança das eleições. Entre os temas prioritários constam o aprimoramento de estratégias de combate às fake news, o controle de conteúdo originado através de deepfakes tecnologicamente avançados e a implementação de mecanismos que garantam a rápida detecção e remoção de desinformação durante períodos eleitorais.

Esta série de encontros representa um momento significativo de diálogo institucional entre o Poder Judiciário Eleitoral e os principais atores no ecossistema digital brasileiro, com implicações diretas para a qualidade e integridade do processo eleitoral nos próximos pleitos.

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