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Meta testa robôs para operações em data centers

Meta testa robôs para operações em data centers
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Meta realiza testes com robôs em data centers

A Meta, gigante da tecnologia comandada por Mark Zuckerberg, está conduzindo testes com robôs para realizar operações e tarefas de manutenção dentro de seus data centers. Conforme revelado pela revista Wired, funcionários anônimos da empresa conversaram com a publicação norte-americana e expressaram preocupações significativas sobre a evolução dos robôs data centers e seu impacto na força de trabalho humana.

Os colaboradores avaliaram o desempenho dessas máquinas durante os testes realizados em diferentes localidades. Segundo informações compartilhadas com a reportagem, estima-se que um dos robôs em desenvolvimento, treinado especificamente para trocar cabos de rede, poderá substituir até 80% da carga de trabalho de determinadas funções. Um dos funcionários afirmou à Wired: "Pensávamos que nós, que realizávamos as tarefas físicas, estaríamos seguros por um tempo, mas não mais."

Equipamentos em fase de testes

Entre os equipamentos testados pela Meta destacam-se máquinas sofisticadas capazes de desempenhar operações críticas nos centros de dados. A Kinova Gen3, equipada com um braço robótico avançado, está sendo avaliada para reiniciar servidores e controlar o fornecimento de energia. Além dessa plataforma, a Meta já integra robôs e equipamentos de fornecedores como Watney Robotics e ABB em suas operações.

As funcionalidades em avaliação incluem a capacidade dos robôs de manipular servidores, conectar cabos e executar procedimentos de manutenção complexa. A empresa, no entanto, recusou-se a oferecer comentários específicos sobre esses testes. Francis Brennan, porta-voz da Meta, declarou que a companhia está investindo massivamente em treinamento e contratação de pessoal qualificado para seus data centers.

Perspectiva da empresa sobre automação

Em sua declaração, Brennan ressaltou: "Os Estados Unidos estão vivenciando o maior boom de infraestrutura desde a Segunda Guerra Mundial, e há uma grande escassez de trabalhadores qualificados para preencher as vagas; precisamos de mais trabalhadores, não menos." Essa posição contrasta com as preocupações levantadas internamente.

Contudo, a revista aponta que em 2025 um executivo da Meta, Eric Xu, gerente sênior de robótica da companhia, afirmou que os objetivos de longo prazo incluem expandir significativamente o uso de robôs em data centers. Conforme Xu, esses equipamentos podem acelerar a resposta a emergências, monitorar ambientes continuamente e realizar manutenção preventiva em espaços controlados.

Laboratórios de testes distribuídos pelos Estados Unidos

A Meta já utiliza robôs operacionais em diversos data centers. O principal centro de testes é o data center localizado em Altoona, Iowa. Adicionalmente, outras localidades, como o centro em New Albany, Ohio, também estão conduzindo avaliações com tecnologia robótica.

Em Iowa, o robô avaliado possui dois braços e realiza trabalhos especializados de cabeamento. Em Ohio, os testes incluem um robô com quatro rodas equipado com uma plataforma elevatória tipo tesoura e um braço articulado de seis eixos. Esta máquina é utilizada para reinstalar componentes e, potencialmente, assumirá tarefas mais complexas com supervisão humana reduzida gradualmente.

Mudanças no mercado de robótica industrial

Tradicionalmente, robôs não eram considerados adequados para ambientes de data centers devido aos custos operacionais elevados e limitações técnicas em tarefas simples. Essa realidade modificou-se substancialmente nos últimos anos. Conforme fontes ouvidas pela Wired, o hardware tornou-se mais acessível financeiramente enquanto o desenvolvimento de inteligência artificial que alimenta esses sistemas acelerou exponencialmente.

O número de startups dedicadas à construção de robôs comerciais capazes de substituir cabos, montar servidores e trocar peças também cresceu significativamente. Essa expansão do mercado sugere um deslocamento estrutural na indústria. Os robôs oferecem potencial para produção otimizada a custos inferiores à mão de obra humana tradicional.

Essa solução tecnológica seria particularmente vantajosa em regiões menos populosas onde data centers proliferam, porém faltam profissionais qualificados. Além disso, defensores da robótica argumentam que essas máquinas libertariam os técnicos humanos de tarefas repetitivas e perigosas, permitindo que se concentrem em desafios mais sofisticados e analíticos.

Preocupações dos funcionários com a automação

A iniciativa robótica não transcorre sem resistência e questionamentos. Funcionários de data centers da Meta manifestaram à Wired temores genuínos sobre possível substituição de empregos ou precarização de suas posições, apesar dos discursos pró-trabalhador emanados pelas lideranças corporativas.

Um dos colaboradores afirmou: "Eles não querem mais pessoas que consigam pensar de forma independente, apresentar soluções criativas ou realizar diagnósticos complexos. Eles querem 'mãos inteligentes', pessoas que sejam capazes apenas de seguir instruções de IA sem cometer erros." Esse depoimento ilustra a apreensão quanto ao futuro das profissões técnicas em ambientes altamente automatizados.

Benefícios fiscais e impactos econômicos locais

As fontes consultadas pela reportagem também destacaram um aspecto crítico: a Meta recebeu benefícios fiscais substanciais em troca da construção de data centers em determinados estados americanos. Esses incentivos foram fundamentados na premissa de geração de empregos para residentes locais e no prestígio trazido pela corporação às comunidades.

O data center de Altoona, Iowa, inaugurado em 2014, exemplifica esse arranjo. Desde sua abertura, a Meta teria economizado milhões em impostos prediais. Contudo, a adoção crescente de robôs pode comprometer a contratação de novos profissionais humanos e questionar a legitimidade dos subsídios fiscais oferecidos.

Dean O'Connor, prefeito de Altoona, declarou à revista que não ponderou profundamente sobre a possibilidade de robôs substituírem empregos no data center local, embora considere essa transformação inevitável. "Vamos lidar com isso conforme for acontecendo", afirmou, refletindo a incerteza que permeia as comunidades afetadas por essa revolução tecnológica nos data centers.

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