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Keiko Fujimori se aproxima de vitória e fala em 'ordem e esperança'

Keiko Fujimori se aproxima de vitória e fala em 'ordem e esperança'
Fonte: g1.globo.com/mundo/noticia/2026/06/29/apos-fim-da-apuracao-keiko-fujimori-diz-que-esta-mais-perto-de-iniciar-um-caminho-de-ordem-e-esperanca-no-peru.ghtml

Keiko Fujimori praticamente eleita no Peru

A candidata de direita Keiko Fujimori é a virtual vencedora das eleições presidenciais do Peru, após a apuração de 100% das urnas do segundo turno realizado em 7 de junho. Com uma vantagem de quase 50 mil votos, Keiko Fujimori consolida-se como a próxima presidente do país andino, uma nação que enfrenta uma profunda crise de estabilidade política.

De acordo com a Oficina Nacional de Processos Eleitorais (ONPE), órgão responsável pela apuração, Keiko Fujimori obteve 9.223.396 votos, equivalentes a 50,135% do total, enquanto seu concorrente, o deputado de esquerda Roberto Sánchez, recebeu 9.137.755 votos, representando 49,865% dos sufrágios. A diferença de apenas 85.641 votos entre os candidatos reflete a polarização que caracteriza o cenário político peruano.

Manifestação da candidata virtual eleita

Em sua primeira declaração após a conclusão da contagem, Keiko Fujimori expressou-se através de uma mensagem na rede social X, afirmando estar "mais perto de iniciar um caminho de ordem e esperança" para o Peru. A futura presidente destacou a importância de aguardar a proclamação oficial do Jurado Nacional Eleitoral (JNE) com "humildade, prudência e responsabilidade".

"A ONPE chegou a 100% das atas apuradas. Todas as observações por parte dos JEE já foram resolvidas. Aguardamos a proclamação do JNE com muita humildade, prudência e responsabilidade. Cada vez estamos mais perto de iniciar um caminho de ordem e esperança para todos os peruanos", comunicou Keiko Fujimori na rede social.

Próximos passos para a oficialização

Embora os resultados da apuração sejam praticamente definidores, a proclamação oficial de Keiko Fujimori depende ainda da validação formal do JNE, órgão máximo responsável pelas eleições no país. Este processo deve ser concluído até a próxima sexta-feira (3 de julho), conforme informações oficiais. A demora se deve às pendências de proclamações regionais pelos Jurados Especiais Eleitorais (JEE), que integram a estrutura do JNE.

Discurso de união e reconhecimento da divisão

Na última quarta-feira, quando Keiko Fujimori atingiu uma vantagem matematicamente irreversível, a candidata realizou um discurso perante a imprensa em Lima, consolidando sua posição como vencedora fática do pleito. Sem reivindicar formalmente a vitória naquele momento, ela dirigiu-se aos repórteres com mensagens conciliatórias.

"Estamos cientes de que o Peru está dividido, de que está praticamente partido ao meio", declarou Keiko Fujimori, reconhecendo a profunda polarização que marcou o segundo turno eleitoral. Seus discursos subsequentes enfatizaram o compromisso de reunir a nação e retomar um caminho de estabilidade institucional.

Contestação dos resultados por Sánchez

O candidato perdedor, Roberto Sánchez, indicou publicamente que não reconhece os resultados das eleições, apesar da apuração estar concluída em 100%. O deputado de esquerda alega supostas irregularidades administrativas e questiona a gestão das cédulas de votação pelo órgão eleitoral, particularmente em relação ao pleito realizado no exterior.

Porém, advogados especializados em direito eleitoral, consultados pelo jornal peruano El Comercio, afirmam que as alegações de Sánchez carecem de fundamento jurídico sólido. Segundo esses especialistas, as contestações servem principalmente para atrasar a proclamação oficial dos resultados. Sánchez convocou protestos na semana anterior em resposta aos resultados que o desfavorecem.

Context histórico e instabilidade política

A eleição de Keiko Fujimori ocorre em um contexto de extraordinária instabilidade política para o Peru. A filha do ex-ditador Alberto Fujimori assumirá a presidência em substituição ao atual presidente, José María Balcázar Zelada, de esquerda, que ocupou o cargo de forma interina por apenas quatro meses.

Antes de Balcázar Zelada, o Peru enfrentou uma sequência de mandatos breves e marcados por escândalos. José Jeri permaneceu na presidência por apenas quatro meses antes de ser destituído pelo Congresso devido a má conduta, após revelar-se que participou de reuniões não divulgadas com empresários chineses. Sua antecessora, Dina Boluarte, também foi removida do cargo envolvida em escândalos de corrupção.

Dina Boluarte era presidenta interina, tendo sucedido o ex-presidente Pedro Castillo, que foi detido após dissolver o Congresso e declarar estado de exceção em uma tentativa de contornar um processo de impeachment. Nos últimos oito anos, o Peru teve oito presidentes diferentes, refletindo a gravidade da crise institucional que afeta o país andino.

Perspectivas para a gestão de Keiko Fujimori

A assunção de Keiko Fujimori à presidência representa uma tentativa de encerrar este período tumultuado de instabilidade política. Com suas promessas de "ordem e esperança", a próxima presidente enfrentará desafios significativos na reconciliação de um país dividido e na restauração da confiança nas instituições políticas do Peru. O cenário de polarização extrema, evidenciado pela margem estreita de vitória no segundo turno, indica que governar será uma tarefa complexa.

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