Alok revela solução criativa para duas versões da colaboração com Jennifer Lopez

Alok discute a parceria musical com Jennifer Lopez
O produtor e DJ brasileiro Alok está prestes a lançar um feat com Jennifer Lopez na música intitulada "Everything's Fine", que chega às plataformas de streaming na próxima sexta-feira (26). A colaboração internacional representa mais um passo importante na carreira do artista, que vem consolidando parcerias com nomes de destaque da indústria musical global. Durante uma entrevista exclusiva concedida ao g1, realizada momentos antes de sua apresentação no Rock in Rio Lisboa, Alok abordou detalhes sobre o feat com Jennifer Lopez e a experiência de trabalhar com a cantora de renome mundial.
A experiência de trabalhar remotamente na produção
Quando questionado sobre a possibilidade de ter encontrado Jennifer Lopez pessoalmente durante o processo de gravação, Alok esclareceu que a dinâmica do trabalho mudou significativamente após o período da pandemia. "Depois da pandemia, 95% das minhas parcerias são online, até por causa da demanda da agenda", revelou o artista. Apesar dessa limitação geográfica, a experiência de colaboração foi extremamente positiva e produtiva.
O DJ brasileiro expressou grande admiração pelo profissionalismo da cantora norte-americana. "Mas foi muito legal trabalhar com ela, ela fez o meu trabalho ser muito fácil. Não é à toa que ela tá onde está por tanto tempo, porque ela é uma profissional que entrega muito. Ela é super dedicada", elogiou Alok, destacando as qualidades que tornaram a parceria tão harmoniosa e eficiente, mesmo sem contato presencial direto.
Solução criativa para divergências criativas
Durante o desenvolvimento do feat com Jennifer Lopez, surgiu uma situação comum em colaborações musicais: a preferência artística por diferentes versões da canção. Em vez de optar por apenas uma abordagem, os artistas encontraram uma solução inovadora e democrática. "A gente tem agora um dilema. Estamos com duas versões. Ela prefere uma e eu prefiro outra. E a gente vai lançar as duas", explicou Alok sobre a estratégia criativa.
A primeira versão, denominada "AM", reflete a preferência de Jennifer Lopez, enquanto a versão "PM" representa a escolha de Alok. "A PM é um pouco mais eletrônica", detalhou o produtor. Essa abordagem dual permite que ambos os artistas mantenham suas identidades criativas intactas. "Mas o legal é que nas duas versões, ambos os artistas conseguiram imprimir bem a sua identidade", complementou Alok, demonstrando satisfação com a solução encontrada para contemplar as visões artísticas de ambos.
Apresentações distintas no Rock in Rio 2026
Alok também abordou seus compromissos no Rock in Rio, que ocorrerá em setembro deste ano. O artista realizará duas apresentações completamente distintas, cada uma direcionada a públicos específicos e com propostas musicais diferentes. No dia 11 de setembro, Alok se apresentará no Palco Mundo, o principal palco do festival, com sua turnê "Keep Art Human". Esse show foi lançado originalmente no festival californiano Coachella e vem sendo readaptado para diferentes públicos e espaços.
"É um show que abrange um público muito maior do que o segmento eletrônico e que a gente consegue colocar no Palco Mundo tranquilamente", descreveu o DJ sobre essa apresentação mais abrangente. No dia seguinte, 12 de setembro, Alok retorna para uma apresentação especial no Dance Order, o palco dedicado à música eletrônica do festival.
O resgate das raízes eletrônicas
A apresentação no palco eletrônico será denominada "Rave the World" e contará com a participação da família de Alok no palco. "Vou dividir o palco com a minha família. Ali é um resgate muito para a minha essência do eletrônico. É onde eu me nutro, nas raízes", explicou o artista sobre a importância dessa apresentação mais voltada para o nicho específico dos fãs de música eletrônica.
Essa proposta de dois shows distintos reflete a estratégia internacional que Alok vem implementando em sua carreira. "Então é muito a proposta que eu tenho feito no mercado internacional. E são apresentações completamente distintas em dois dias diferentes, mas acho que esse é o maneiro, porque é respeitando cada lugar que eu tô ali. No Palco Mundo é uma vertente e no Palco Eletrônico seria outra", justificou o produtor, demonstrando uma compreensão sofisticada sobre audiências e contextos musicais.
Retorno a Lisboa após uma década
Este será o retorno de Alok ao Rock in Rio Lisboa após 10 anos de ausência do festival. Apesar de realizar apresentações anuais em Portugal, o DJ brasileiro manifestou sentimentos nostálgicos sobre sua volta à capital portuguesa. "É uma gratidão enorme estar de volta aqui no Rock in Rio, só que dessa vez, com um projeto que é o meu projeto internacional, que é o 'Rave the World', que é um projeto que é mais segmentado para o nicho eletrônico", comentou Alok.
O artista fechará a primeira noite de apresentações do festival, consolidando seu papel relevante na programação do evento. Sua participação marca um momento significativo tanto para o festival quanto para sua trajetória artística na Península Ibérica.
Identidade eletrônica internacional
Durante a conversa, Alok refletiu sobre sua posicionamento na indústria musical global, particularmente em relação ao mercado português. O produtor reconheceu nunca ter realizado um remix com uma canção portuguesa, apesar de sua presença frequente no país. "Inclusive é bem interessante. Toda vez que eu toco em Portugal, é um público muito conectado com a cena eletrônica global. É um público muito internacional", observou.
Essa escolha consciente de repertório reflete sua estratégia artística. "Eu nem toco meus remixes de português brasileiro, por exemplo, no show, porque eu estou dividindo o line-up com grandes expoentes da música eletrônica", explicou Alok. A decisão de não incluir músicas em português durante suas apresentações em Portugal demonstra uma compreensão estratégica dos contextos e expectativas do público local que frequenta festivais de música eletrônica em escala internacional.
"Então é interessante, porque por mais que eu esteja vindo para Portugal, que tem uma língua que é uma língua que se iguala a nossa, eu não costumo tocar nenhuma música que tenha nem português do Brasil. Mas isso é porque eu acho que eu fui colocado um pouco na prateleira do eletrônico internacional", concluiu Alok, resumindo sua posição como artista fundamentalmente vinculado à cena eletrônica global.
