Aliado de Trump divulga imagem IA de Moraes com tornozeleira

Publicação provocativa nas redes sociais
Jason Miller, assessor próximo do presidente americano Donald Trump, compartilhou uma imagem IA de Moraes utilizando tornozeleira eletrônica no domingo à noite. A publicação marcou mais um episódio de críticas do aliado de Trump contra autoridades brasileiras, especialmente contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).
A imagem de IA de Moraes foi acompanhada de um trecho de reportagem do Financial Times que aborda o escândalo envolvendo o Banco Master. Conforme o texto publicado por Miller, o caso transformou o ministro em um dos principais alvos das investigações sobre corrupção desencadeadas pelo colapso da instituição financeira de US$ 10 bilhões.
Na montagem visual, a imagem IA de Moraes retratava o ministro sentado em escadaria que simula a entrada do STF, usando a tornozeleira eletrônica como elemento central. A escolha da representação não deixava dúvidas sobre a intenção crítica de Miller em relação ao magistrado brasileiro.
Histórico de confronto entre Miller e autoridades brasileiras
Esta não representa a primeira vez que Jason Miller utiliza as redes sociais para questionar atos de autoridades brasileiras. Durante 2024, o ex-assessor presidencial publicou diversas mensagens criticando a atuação de Moraes no contexto das investigações sobre fake news.
Em agosto de 2025, Miller foi além das críticas ao ministro e atacou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), descrevendo-o como possuidor de um cérebro de "banana amassada" e comparando-o ao ex-presidente americano Joe Biden. As manifestações públicas de Miller refletem uma postura confrontacional em relação ao governo brasileiro.
O histórico de Miller com o Brasil remonta a 2021, quando o assessor de Trump viajou a Brasília para visitar o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Na ocasião, agentes da Polícia Federal o conduziram para depoimento no Aeroporto Internacional de Brasília, no contexto do Inquérito das Fake News sob relatoria de Moraes na época.
Contexto da crise no STF
A publicação ocorre em meio a uma crise institucional profunda no Supremo Tribunal Federal, intensificada a partir do início de setembro. O processo iniciou quando o ministro André Mendonça removeu o sigilo de um relatório da Polícia Federal relacionado às investigações sobre o Banco Master.
O documento que desencadeou a crise revelou mensagens e contatos entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Moraes. As apurações expandiram-se para incluir relacionamentos de Vorcaro com outros integrantes da Corte e negócios envolvendo familiares de magistrados, suscitando questões sobre conflitos de interesse.
Repercussão e medidas de contenção
A divulgação do material provocou embate público no interior do Supremo. Moraes reagiu solicitando investigação de Mendonça por possível abuso de autoridade. A tensão escalou com decisões contraditórias entre ministros, incluindo o afastamento e posterior reintegração do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
Diante da escalada de tensões, o presidente do STF, Luís Roberto Fachin, centralizou as decisões referentes à crise. Fachin suspendeu medidas conflitantes dos colegas, manteve Rodriguesia na chefia da PF, removeu Moraes da relatoria do inquérito de fake news e estabeleceu que procedimentos envolvendo investigações contra ministros passem pela presidência do tribunal antes de prosseguimento.
Próximas etapas judiciais
Fachin marcou para terça-feira (15) uma sessão plenária para examinar o relatório da Polícia Federal que evidencia a relação entre Moraes e Vorcaro, bem como o pedido da Procuradoria-Geral da República para anulação do documento. Outra sessão foi agendada para 23 de setembro para análise da conduta de Mendonça.
A publicação de Miller reflete as tensões internacionais envolvidas nesta crise institucional brasileira, com críticos do exterior amplificando narrativas sobre os problemas governamentais identificados domesticamente.
