As Olimpíadas de Inverno de Milão-Cortina, na Itália, começaram nesta sexta-feira (6), marcando mais uma edição do evento esportivo mais aguardado pelos amantes dos esportes de inverno. No entanto, por trás de toda a emoção e competição, há um fato alarmante: a dependência cada vez maior de tecnologia para produzir neve artificial. Isso não apenas afeta os Jogos Olímpicos, mas também nos alerta sobre os impactos do aquecimento global em nosso planeta.
De acordo com dados do Instituto Talanoa, 85% da neve utilizada nas competições deste ano será artificial, um aumento significativo em relação aos Jogos de Sochi em 2014. Para garantir as pistas de competição, serão necessários 946 milhões de litros de água, o equivalente a encher um terço do estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro. Isso demonstra a dimensão do problema e como ele afeta não apenas os esportes, mas também o meio ambiente.
É importante destacar que a produção de neve artificial é uma tendência que vem se intensificando nas últimas edições dos Jogos Olímpicos de Inverno. Em Sochi, cerca de 80% da neve utilizada foi produzida por máquinas, enquanto em PyeongChang em 2018, esse número chegou a 98%. E para os próximos Jogos em Pequim, em 2022, a expectativa é de que 100% das competições ocorram com neve artificial.
Essa dependência da tecnologia é um sinal claro de que o aquecimento global está afetando os invernos em todo o mundo. Com o aumento das temperaturas, os invernos estão se tornando mais curtos e menos previsíveis, dificultando a manutenção da neve natural e aumentando a incerteza para competições ao ar livre. Além disso, o número de locais com condições climáticas confiáveis para sediar os Jogos Olímpicos está diminuindo rapidamente.
Em 1981, 87 locais eram considerados climaticamente confiáveis, mas as projeções para as próximas décadas indicam uma redução drástica nesse número. Em 2050, estima-se que apenas 52 locais sejam adequados para sediar os Jogos, e em 2080 esse número pode cair para apenas 46, mesmo em um cenário intermediário de redução de emissões de gases do efeito estufa.
No entanto, os impactos do aquecimento global vão além dos esportes. A redução da neve natural afeta diretamente o meio ambiente e a vida de comunidades inteiras. A neve funciona como um reservatório natural de água, liberando-a gradualmente ao longo do ano. Com menos neve, há uma menor vazão de rios, o que pode afetar o abastecimento de água e pressionar os reservatórios. Além disso, o turismo de montanha, que depende da neve para atrair visitantes, também é afetado, gerando prejuízos econômicos em regiões que dependem dessa atividade. E, por fim, os ecossistemas adaptados ao frio também são afetados, causando desequilíbrios ecológicos e impactando as economias locais.
Criados em 1924, nos Alpes franceses, os Jogos Olímpicos de Inverno nasceram da abundância de neve natural. As sedes tradicionais concentram-se em áreas de montanha e altas latitudes, historicamente associadas a invernos frios, como os Alpes europeus, o Canadá, os Estados Unidos e o norte da Ásia. No entanto, um século depois, os dados nos mostram que,






